O Programa em Tucuruí preserva espécies nativas, apoia o reflorestamento e se tornou referência em conservação florestal
27/04/2026 às 01:30 | Atualizado em 27/04/2026 às 10:46Localizada no complexo da usina hidrelétrica de Tucuruí (PA), no coração da Amazônia, a Ilha de Germoplasma é referência na preservação ambiental aliada ao reflorestamento e ao desenvolvimento sustentável. Criada em 1984, a iniciativa integra o Programa de Germoplasma Florestal e atua como um banco genético vivo, garantindo a conservação do DNA de espécies nativas para as futuras gerações.
Com uma área de 129 hectares — o equivalente a cerca de 181 campos de futebol — o espaço abriga aproximadamente 100 mil árvores de mais de 220 espécies nativas. Entre as espécies preservadas estão castanha-do-pará, açaí, bacuri, paricá, ingá, morototó, cupuaçu, copaíba, ipê e mogno, todas catalogadas, identificadas e monitoradas de forma contínua. Cerca de 10% das espécies conservadas são consideradas ameaçadas, o que reforça a importância estratégica do projeto.
Números que traduzem impacto
Além da Ilha de Germoplasma, o Programa Germoplasma Florestal conta com a Unidade de Propagação e Conservação de Plantas (UPCP) que inclui um viveiro com capacidade para produzir até 120 mil mudas por ano, além de um banco genético florestal e um laboratório de análise de sementes credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Ao longo dos anos, já foram produzidas mais de 41 milhões de sementes e 800 mil mudas.
Só em 2025, a produção chegou a 126,8mil mudas de espécies nativas — uma média de 10 mil por mês — das quais 88,8 mil foram doadas para projetos de reflorestamento.
Recuperação ambiental e ciência aplicada
As sementes coletadas na Ilha abastecem projetos de restauração ambiental em diferentes regiões do país. A atuação também envolve o monitoramento da fauna, a avaliação da saúde das plantas e ações preventivas contra espécies invasoras, garantindo equilíbrio ecológico e eficiência na recuperação das áreas degradadas.
“É um exemplo concreto de como o licenciamento ambiental, quando bem conduzido, pode gerar resultados duradouros para a biodiversidade e para a sociedade. Mais do que uma condicionante ambiental, esse projeto se consolidou, ao longo de mais de quatro décadas, como um patrimônio ambiental da Amazônia”, ressalta o diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes, Jader Fernandes.
Ao integrar ciência, reflorestamento e desenvolvimento sustentável, a Ilha de Germoplasma segue como um dos principais polos de conservação da Amazônia, contribuindo de forma efetiva para a proteção da biodiversidade e da floresta hoje e no futuro.